é a minha rua preferida do Porto. Já a devo ter percorrido, para trás e para a frente, uns milhares de vezes, sem exagero. Desde que vinha cá passar alguns fins de semana e ver os avós, quando ía com os meus pais à baixa no 20 e voltávamos a pé por Cedofeita acima, até aos gloriosos tempos de estudante, em que o Piolho e a Gesto ficavam na outra ponta da Cedofeita. 20 minutos a pé, one way, e estava lá tudo; algumas vezes tinha que vir a pé da Ribeira, e inevitavelmente tinha que cruzar a autoestrada pavimentada a calcário e ladeada a sapatarias. Foi a única rua onde fui assaltado, a um domingo de manhã, e sem grande sucesso para o guna (também, foi-se meter com um estudante teso que não tinha dormido a noite anterior).
Hoje lá a percorri mais uma vez, até ao alfaiate, e já nem são as figuras que me chamam a atenção (mais coisa menos coisa, são as mesmas do post anterior). São as lojas, isso sim: começando na igrejita da Ramada Alta, passando por vários cafés, cabeleireiros, uma loja de cartuchos de impressora, o Tribunal e prisão de menores, depois passa-se por baixo do comboio, agora metro, e aparecem os restaurantes de esquina, as sapatarias, a loja indiana, mais sapatarias, uma ou duas lojas de roupa sempre às moscas, alguns cafés que têm invariavelmente a mesma clientela até ela morrer, a loja dos guarda chuvas e das mochilas, toda em madeira, mais uma sapataria, uma loja de telemóveis, uma rua cheia de stencis contra a guerra nas paredes, a loja das gangas, Teddy Boy, agora em monumental promoção, uma outra rua inclinadíssima que não se sabe muito bem onde é que acaba, mais sapatarias a rodos, finalmente o multibanco perto do qual estão sempre umas putas muito velhas e decadentes, a qualquer hora do dia, antecede o clímax - a Praça de Carlos Alberto, com o restaurante homónimo, a cagada que fizeram do teatro lá atrás escondida (ainda bem), o local de repouso do mítico Luso, e depois os Leões e o Piolho.
Mas já não vou lá há uns tempos, e hoje o destino é mesmo o alfaiate, pouco mais à frente nos Clérigos. Esse também é dos de molde quebrado, isto é, quando acabar já não fabricam mais. Trabalha na rua de Trás (que justamente fica atrás da rua principal dos Clérigos, que nome fixe) e quando toco à campaínha ouvem-se as escadas a ranger e lá vem ele. Quando me vê, os olhos sorriem: Sr. Arquitecto para aqui, Sr. Arquitecto para ali e leva-me ao verdadeiro alfaiate, que trabalha num tugúrio uns metros mais acima na mesma rua. Depois diz-me: Sabe, é sempre melhor vir eu, porque eles são muito boas pessoas, mas depois fazem como eles querem e não querem saber do que gosta o cliente. O Sr. Arquitecto não se preocupe que isso fica como o senhor quer! Peço-lhe um bolso pequeno, à frente nas calças, para enfiar o iPod. Mostro-lhes o objecto mas o único problema deles é se o bolso é à direita: Ai geralmente isso é sempre à esquerda, mas a nossa opinião não vale nada! O Sr. Arquitecto é que sabe.
Sooner or later, também estes vão desaparecer, e as suas casas compradas por algum arquitecto ou promotor que as vai recuperar, e bem, e é bem que assim seja, porque o mundo deles estagnou. E é por isso que é preciso aproveitar enquanto há.
14 de outubro de 2005
a rua de Cedofeita
posto pelo Alexandre às 01:25 3 comentários
13 de outubro de 2005
oldies
Desenterrei isto a semana passada. Este foi o meu primeiro cartaz, em 1995, tinha eu uns borbulhosos 16 anos. Era uma peça de teatro, quando o teatro na Guarda era livre de subsídios e ainda tinha alguma originalidade. Além do cartaz, entrava na peça com outros quatro em volta do protagonista, e comentávamos o texto com movimentos. Do cenário fazia parte um aparador enorme vindo não sei de que arquivo bolorento, com uma data de gavetas abertas. Acho que só se fizeram para aí umas dez representações, pouquíssimas para os quatro ou cinco que estivemos a ensaiar.
(antevisão do domínio)
posto pelo Alexandre às 19:44 2 comentários
12 de outubro de 2005
é tão bom correr
no Porto, com o iPodzito sempre a bombar grindcore. Saio de casa e não há nenhum parque por perto, por isso subo pelos lados da Constituição até à Quinta do Covelo. Todo este mundo de gente, talhantes, cabeleireiros, polícias barrigudos, putas, reformados a jogar às cartas e meninos a sair da escola (já se está a pôr o Sol), os inevitáveis gunas, um ou dois cromos que correm como eu (mas pelo Norte do Porto ainda não há iPods, ahaha), senhoras a passear o cão e a cagar no passeio (o cão), lojistas de todas as espécies a fumar à porta, a ver os clientes passar, e a correr. As ruas são maravilhosamente desordenadas, sobem e descem, buraco sim buraco não, cada casa ocupa o seu lotezinho, todas em fila, todas diferentes mas alinhadas pela rua e com poucas variações de altura, entre 2 e 4 andares. Desde umas variações de barroco romano feito à moda do Porto, com granito em vez de travertino, até ao esquizofrénico Instituto do Sangue, passa-se por todos os estilos. É como estar num desenho animado, mas com cheiros (a escape, a carne fresca, a vegetação, a relva, ao perfume barato dos reformados) e banda sonora grindcore. Chego à Quinta do Covelo, e depois desço a Antero de Quental até casa. Sabe bem expulsar os finos da noite de ontem pelos poros da pele. E ouvir mais grindcore, e continuar a apreciar a paisagem humana, como os dois barbeiros a rir dentro do salão vazio e que ficam a olhar para este personagem a correr com os fios brancos a sair das orelhas. Todo este mundo está tão fora de moda, tão out, tão ultrapassado que inexoravelmente vai desaparecer. Por isso é aproveitar enquanto há.
posto pelo Alexandre às 21:38 2 comentários
Ah!
E passámos as 5000 visitas, desde Março, por aqui. Já sei que não é nada, mas qualquer motivo é bom para comemorar... e assim os preparativos já estão a ser tomados para realizar um grandioso aperitivo aqui em casa do Santa Bárbara, a partir das 19h. Só falta anunciar o dia (e local!), não vá a coisa disparatar e aparecer aí meio Porto. Stay tuned!
posto pelo Alexandre às 12:47 2 comentários
café blasfémias
veio pouquíssima gente, mas mesmo assim é divertido ver as caras deles. E até teve piada, foi só pena termos chegado tão tarde e quase não se ter ouvido o JM, nem ter vindo o JCD.
posto pelo Alexandre às 12:36 0 comentários
6 de outubro de 2005
o direito à arquitectura
Este blog começa a parecer-se demasiado com um contra-manifesto disto. Mas não resisto a contar este caso, na Costa Nova, em Aveiro, sítio onde vou frequentemente. É conhecida pelas casinhas de madeira às riscas coloridas, muito pitorescas, e pela dupla frente ria/mar, que lhe dá um carácter muito próprio (o sol põe-se sempre numa linha de água, todo o ano). Hoje em dia está cheia de construções anónimas, não muito boas, à mistura com umas casas cúbicas a la escolinha do Porto, maisons de vários estilos e até uma de telhados inclinadíssimos que mais parece uma espécie de cristal. Mas tudo isto convive sem grandes atropelos, porque a volumetria não é excessiva e é mais ou menos igual, e felizmente só há um ou outro caso de construção sobre as dunas, que até passa despercebido. Ora, no meio disto tudo os dois piores erros urbanísticos são, PRECISAMENTE, obra de arquitectos! O primeiro, logo à entrada e bem visível, é um condomínio com piscina que cresceu de tal forma que comeu parte do passeio. No meio das casinhas vemos um monstro atrofiado, que nem sequer cabe no lote a que foi destinado – obra de arquitecto. O outro, uma fila de candeeiros públicos, pagos lautamente pelo contribuinte, colocada mesmo em frente a toda a zona de fachadas tradicionais (e que é realmente o verdadeiro interesse da Costa Nova) . Resultado, uma fila de luz que impede que as mesmas fachadas sejam vistas, mas põe em destaque o “gesto poderoso” desse deus-arquitecto, iluminado educador do povo atrasado mental.
Já sei que é por causa dos arquitectos, também, que temos a recuperação do centro histórico de Guimarães, por exemplo, e que aí foi feito um óptimo trabalho. Mas então a que conclusão é que se pode chegar? Bem, a de que O FACTO DE UM PROJECTO DE ARQUITECTURA SER FEITO POR UM ARQUITECTO NÃO É UM GARANTE DA SUA QUALIDADE. Logo, para quê mexer numa lei e aumentar a (já grande) ingerência do Estado nas nossas vidas? Isso é que eu considero uma questão de princípio, não chavões vazios e perigosos como “dar o seu a seu dono” e “direito à arquitectura”, continuamente invocados pela Ordem.
posto pelo Alexandre às 17:48 3 comentários
a propósito
vejam aí os links do falecido Picuínhas, que foi quem me alertou primeiro para esta questão (da revogação do 73/73), e que tirei da caixa de comentários da Mão Invisível:
Arquitectura por decreto?
De novo o "Direito à Arquitectura"
O discurso da Ordem dos Arquitectos
Grande, grande, grande. Este sim é pena que tenha desaparecido.
posto pelo Alexandre às 01:33 2 comentários
4 de outubro de 2005
o direito à escolha
Parece que afinal não é só aqui e no site da Ordem que se fala disto. Aqui, aquilo que se andou a discutir no jantar passado e a acordar a vizinha está maravilhosamente defendido. E, pasme-se, não é só "malta fixe" que defende a detestável revogação: também os betinhos de direita o fazem, mais uma razão para sermos contra aqui no Santa Bárbara e que nos dá força para continuar!
(que me desculpem os referidos betinhos, com os quais até concordo muitas vezes, mas esta foi uma argolada...). Já agora, se alguém tiver paciência para os posts anteriores sobre isto:
o direito à arquitectura 1
o direito à arquitectura 2
o direito à arquitectura 3
o direito à arquitectura 4
posto pelo Alexandre às 17:31 3 comentários
e pensava eu
que estar de férias era melhor para escrever. Claro que assim posso postar às duas da manhã sem grande medo de no dia seguinte estar com os olhos a derreterem para fora das órbitas em frente ao computador (como este ano, depois de vir de Lecce, chegar a Roma às 6 da manhã e ir trabalhar às 9). Mas a modorra instala-se de tal modo que não vejo a hora de recomeçar o trabalho! E de ter alguém de quem dizer mal a não ser dos meus flatmates actuais, mas esses, coitados, já têm que me aturar bastante quando chegam a casa (sim, porque eles trabalham...). Aliás, eles e a vizinha, coitada, que as nossas casitas só têm uma singela parede de 11 a dividi-las. E não é que a senhora dorme com a cabeça encostada ao mesmo lado do nosso sofá, mas do outro lado da parede? Isto anima-me já a escrever, visto que no sábado passado deve ter sofrido bastante já que estivemos até às tantas a jantar, e de que é que falam 5 arquitectos a jantar cá em casa? da Ordem e da revogação do 73/73, claro e em altos berros! Disso já disse aquilo que penso no jantar e também por este pasquim, mas deixo uma consideração que espero seja mais pacífica:
A crítica que se faz à Ordem, pelo menos que eu tenha ouvido, é que não nos protege. Não nos protege, não faz nada por nós, deixa-nos ao deus-dará e só nos põe é entraves. Eu até aceito que me digam qualquer coisa do género: Vamos-te criar montes de problemas para entrar, mas assim que cá estiveres vais estar defendido e prestigiado. Isso, se não fôr demasiadamente levado a sério, até posso aceitar. Agora o que NUNCA vai existir, é a Ordem proteger-nos enquanto tiver um regime de exclusividade. Para que um arquitecto possa assinar, tem que fazer parte da Ordem. Por lei, e assim vamos lá parar todos, quer queiramos quer não! Ou seja, o que é que lhes interessa fazer o que quer que seja por nós? A não ser para ganhar as eleições de quando em quando, mas também, pobre recompensa... (se descontarmos os contactos). Assim, em vez de ser um garante de profissionalismo e competência, a Ordem é sim mais um entrave burocrático para o exercício de uma profissão (quando no nosso miserável país aquilo que menos precisamos é de gente à espera de se tornar activa). Se o facto de pertencer a uma Ordem fosse opcional para poder exercer a profissão, em primeiro lugar esta teria sim que garantir um prestígio (senão não tinha clientes) e em segundo lugar poderiam até haver mais Ordens, cada uma concorrendo livremente entre si (isto já um sonho demasiado alto para este poço de mediocridade).
Hoje em dia, para ser membro da Ordem basta cumprir um estágio de um ano. Nada que não se faça de qualquer maneira, com Ordem ou sem ela. A posição deles para o futuro, é, naturalmente, a de complicar mais as coisas (com a introdução de um exame, por exemplo) e de restringir a práctica da arquitectura aos arquitectos. A minha, é a de liberalizar completamente a profissão...
posto pelo Alexandre às 02:33 0 comentários
30 de setembro de 2005
apesar da brutalidade
está tudo dito aqui, sobre a mania do blasfémias (ou de alguns deles). É pena, porque é mesmo um dos meus preferidos, mas realmente medir a credibilidade pela audiência, ou a qualidade pelo sucesso, não é grande idéia. (de qualquer maneira, foram eles que puseram os links, o que revela desportivismo).
posto pelo Alexandre às 21:39 0 comentários
A Felgueirada
A blogagem geral, pelo menos a de carácter mais liberal (que é a que se lê aqui), dividiu-se entre os que repudiavam a senhora e os que até a apoiavam -ainda que ironicamente- mas que repudiavam o sistema. Por aqui estamos entre o primeiro grupo. O sistema legal português funciona mal, as leis podiam certamente ser mais simples e eficientes e não deixar estes buracos que põem toda a gente de boca aberta. A prisão preventiva também não é certamente uma grande demonstração de civilidade quando a lentidão dos processos deixa pessoas presas à espera sem saber durante quanto tempo – e presumivelmente inocentes até se provar o contrário.
Mas, mesmo assim, não se pode partir do princípio de que um sistema legal mais eficiente, por si só, elimina a necessidade de existirem uma ética e uma moral na sociedade. Ou ainda de que um sistema mais eficiente é necessário apenas e só por causa da inexorável degradação das mesmas no “mundo de hoje em dia”. Isso é uma posição, bem, ultra-estatista! E nada liberal. Em palavras simples: O Estado pode obrigar-me a comportar de certa maneira, porque eu, à partida, não tenho que ter nenhuma moralidade, civismo ou sentido ético. Assim, para evitar todos os abusos, as leis devem cobrir todos os aspectos do comportamento humano. Ou seja, mais regulamentação, mais Estado. Brilhante.
A moral tradicional, ao contrário do que afirma o JM, aguenta com todo o “mundo contemporâneo” que lhe quiserem atirar. Matar é mau, roubar é mau, e candidatar-se sob processo idem. Tudo noções simples e apuradas ao longo de séculos de convivência humana, e que dispensam muitas e compicadas leis. E também, particularmente no mundo de hoje em dia, cada vez mais indispensáveis se não queremos rebentar uns com os outros!
posto pelo Alexandre às 21:09 0 comentários
27 de setembro de 2005
anti spam measures
teve que ser. Agora, se quiserem escrever para aqui alguma coisa, vão ter que escrever umas letrinhas que vêem no ecran. É muito simples, é uma seca, mas é o mundo em que vivemos (e não é tão mau quanto isso, comparado com ter a caixa de comentários cheia de anúncios idiotas).
posto pelo Alexandre às 18:11 0 comentários
novidades
eliminei as diferenças fascizóides entre "diários", "zés" e "simpáticos". Pronto, agora está tudo no mesmo saco - ainda que se mantenha uma certa disciplina... Acabei com as rádios, pelo menos para já. Os arquivos passaram para baixo, e ainda não consegui pôr "postas" em vez de "comments"! se alguém souber diga! Mas e mais importante, cinco novos magníficos:
Os políticos (e mais ou menos direitistas, ahimé) Insurgente, Arte da Fuga e Mão Invisível, que tenho que ler com mais calma mas que já me deram bons momentos;
A inigualável Rititi na sua cuequice cor-de-rosa;
A Rua da Judiaria, muito bem escrita e muito interessante.
posto pelo Alexandre às 03:10 5 comentários
26 de setembro de 2005
Mais coisas irritantes
O Blasfémias às vezes faz-me chegar a mostarda ao nariz. Tudo bem que reflecte a natureza caótica do capitalismo; tudo bem que seja adepto cego do FCP. Alguns colaboradores são muito chatos e cinzentos; além disso defendem a regionalização, o que me parece incrível que façam dado que são liberais e isso, no nosso miserável país, comporta precisamente um aumento do peso do Estado e diluição de responsabilidades!
Já só tenho practicamente paciência para o JM, cuja escrita curta e brutal é sempre um prazer de ler, tal como o Bertrand Russel ou o Léon Krier na arquitectura - podemos não concordar, mas é inegável e desarmante a simplicidade dos argumentos. Ora, um desses que me irrita profundamente é esta resposta ao JPP. E o que me irrita nela é que pega na mesma falácia Hegeliana já aqui discutida antes em relação à arquitectura. Ou seja, a ideia de que “o mundo em que vivemos” é uma entidade com uma força inexorável e de a ela nos termos que submeter, sob pena de desaparecermos ou de sermos esquecidos pela História.
Não me interessa se ao mundo moderno não serve um sistema de valores – isso é relativismo moral e o maior perigo para as nossas sociedades ocidentais. Nem para aqui me interessa a “qualidade da lei”, ou o que quer que isso seja. Eu acho que toda a “Felgueiras situation” é mais que deplorável e incomoda-me que, aparentemente, seja normal para muita gente, ou que seja SÓ um problema de termos uma lei estúpida. É claro que a lei deve ser eficaz (ou seja, fazer mais com menos) e preparada para lidar com o pior da espécie humana. Mas se não houverem valores nem moral nem civismo também não há lei que nos valha, porque para fazer as coisas funcionar seria necessário regulamentar TODAS as niquices – in my book, aumentar o já transbordante peso do Estado.
O que me irrita no Blasfémias é o pensamento abstracto que vê exclusivamente o mercado e a lei (por muita “qualidade” que tenha) como soluções para os nossos males. Eu também acho que precisamos de muito menos Estado, de muito mais mercado e de muito melhores leis. Mas também de melhores pessoas – urgentemente.
P.S. 1 • Não tenho aqui à mão o livro do Popper, mas ele diria qualquer coisa como: o Homem cria a História, não é um seu mero produto;
P.S. 2 • Foi o próprio JM que, tanto quanto me lembro, atacou o relativismo moral quando o “Emperor Palpatine” se tornou Papa... (aliás, usando mesmo diálogos do Star Wars!)
posto pelo Alexandre às 02:50 3 comentários
Arquitectura Romana

Francesco Berarducci, interior da sua casa no prédio também por ele desenhado, nos anos setenta (acho eu). Alcatifa branca, betão e tijolos pintados de branco, consolas que desafiam a gravidade (todo o nicho da foto é um volume exterior), a casa organizada em degraus. Maravilhoso.
posto pelo Alexandre às 01:45 1 comentários
Dia Europeu Sem Carros
Resultados de mais uma imbecilidade politicamente correcta: os carros circulam na mesma, mas o metro está cheio de velhos a passear porque não se paga. Vão todos sentadinhos, para trás e para a frente, e ocupam o espaço das carruagens modernas mas pensadas para um terço dos utilizadores: viaja-se como sardinhas em lata, quando não é completamente impossível entrar.
Ou seja: quem se lixa é quem, como eu, não tem carro e usa os transportes públicos.
Ou seja: mais uma vez, alguém que acha que sabe aquilo que é melhor para mim acaba por gastar o meu dinheiro para me prejudicar. Há poucas coisas que me irritem tanto.
(A não ser também a neandertalidade do utente médio do metro do Porto, que entra à bruta na carruagem sem esperar que os outros saiam (bestial com o caos da sexta passada) e não se sabe encostar à direita nas escadas rolantes. Também não há avisos, como se isso não fosse essencial para que o metro funcione de um modo eficaz. Será que é assim em Lisboa? Já não me lembro bem.)
posto pelo Alexandre às 01:44 4 comentários
22 de setembro de 2005
a hibernar
mas não por muito mais tempo. A seguir, Francesco Berarducci e Guia de Roma!
posto pelo Alexandre às 03:15 2 comentários
15 de setembro de 2005
adeus
Roma. Acabou o meu dia de trabalho e quase um ano entre os romanos. Amanha volto à terrinha, e durante um mes e meio, aproximadamente, este pasquim vai passar a ser escrito do Porto, Guarda, Costa Nova do Prado, Lisboa e talvez Madrid (isto se nao vierem outras ao barulho). Levarei saudades da vida relaxada, dos amigos e da cidade antiga inigualavel, que nunca acaba. Mas em Novembro vou começar a trabalhar em Nova Iorque (se o céu nao cair) e tenho a impressao de que tudo o que fiz até aqui foi brincar às casinhas comparado com o que ha-de vir. So help me God, mas para ja férias e uma foto do primeiro projecto do chefe (e o meu preferido), a igreja de S. Agostino di Canterbury, na periferia romana.
(quando estava dentro a tirar fotos, aproxima-se uma velhota e pergunta:
- Desculpe, é estudante de arquitectura?
- Bem... sim... mais ou menos...
- Entao por favor nunca me faça um projecto assim! Deve ser a igreja mais feia de Roma!)
posto pelo Alexandre às 18:31 3 comentários
12 de setembro de 2005
cenas romanas
(B), (C), (D), (E), (F) preparam-se para ir almoçar. (A), o chefe, nao esta'. (E), o outro chefe, socio do (A), avisa os subordinados: "rapazes, vamos telefonar ao A, mas cuidado que é melhor nao irmos a nenhum sitio caro porque o A para pagar...". OK, vao entao ao barzito do costume, onde param os adolescentes betos, velhos playboys, trintonas de mamas siliconadas e labios ultra-botoxizados, trintoes ultra-bronzeados a armar ao biziness-men e gente gira do Norte de Roma em geral.
Chegam ao bar. (E) telefona:
- entao (A), queres vir almoçar conosco? Ao sitio do costume? Ta bem, a gente espera. Rapazes, ele vem daqui a meia horita, vamos pedindo, mas cuidado com o que pedem, que o (A) tem uma relaçao com o dinheiro muito estranha...[aqui da-nos uma liçao de moral sobre o dinheiro e todos se riem do forreta do (A)]
Pedem uma salada cada um, e duas garrafas de agua para os cinco. Mais frugal impossivel.
O (A) nunca mais se ve. Entretanto acabam, tomam café e vem a conta. (E) assobia para o ar. (B) e (C) olham para ela, mas fazem de conta que nao é com eles. (D) e (F) sentem-se um pouco embaraçados, pegam no papel e, com alguma cerimonia, dividem: 27 euros e tal a dividir por cinco marmanjos da cinco e qualquer coisa a cada um. (E), o chefe, poe o dinheiro na mesa:
- Aqui estao seis euros, e ainda da qualquer coisita para a gorjeta.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(depois, para se redimir da FORRETICE DOENTIA tipica destes MERDOSOS MICROGESTORES ITALIANOS, paga os gelados)
posto pelo Alexandre às 15:13 1 comentários
9 de setembro de 2005
8 de setembro de 2005
e se um dia...
...acordasse e pagasse 15% de impostos? Sim, QUINZE POR CENTO, nao importa quanto se ganha, sem escaloes nem diferenciaçoes. Vou emigrar mas é para a Polonia.
Passando alem da dubia ética de cobrar uma percentagem maior a quem ganha mais (que é o que acontece agora), esta ideia é extremamente inteligente por isto: nos nossos paises - Portugal e Italia - foge-se como se pode aos impostos. O risco de ser apanhado é minimo, e o facto de se pagar mais ou menos metade do que se ganha (é quanto paga o meu chefe aqui) faz com que compense nao declarar tudo. Nem que seja para evitar passar, por pouco, de escalao e ter que pagar muito mais, ganhando quase o mesmo.
Ora, sem escaloes e com uma taxa unica, relativamente baixa, passa a ser, por um lado, mais facil controlar o contribuinte e por outro menos rentavel para ele fugir. Acredito que a maior parte das pessoas que foge aos impostos nao o faz por ser intrinsecamente vigarista, mas sim porque o sistema é injusto e potencia grandes injustiças. Assim, com esta ideia tao desarmantemente simples, os ricos continuam a pagar mais que os pobres mas nao sao incentivados descaradamente a fugir para o Panama' para nao serem roubados pelo Estado. E vistas as coisas, sao eles que o subsidiam...
posto pelo Alexandre às 09:55 0 comentários
7 de setembro de 2005
Eu até podia trabalhar mais rapido, mas para que arriscar-me a partir uma unha?
escrito no porta-chaves do A (v. post anterior). A's vezes penso que é o lema dele. Ainda bem que daqui a dez dias me ponho na alheta.
posto pelo Alexandre às 15:42 0 comentários
historietas do dia
Levanto-me à pressa e à ultima o dilema poe-se: lavar os dentes ou perder o comboio? Como me jurou o ex-cunhado dentista de um amigo meu ha' uns anos, comer uma maça verde equivale a essa operaçao. Assim, pego numa e saio de casa a correr. No elevador, um velho:
-he he he, una mela al giorno toglie il medico di torno. (ou, an apple a day keeps the doctor away) como se costuma dizer.
-hmmmm.. pois obrigado, realmente...
Despeço-me e corro para a rua. No sema'foro, enquanto espero e duas mil outras coisas me passam pela cabeça, alguem me toca no ombro:
-Una mela al giorno toglie il medico di torno!he he he.
é outro velho, gordo e com mau ha'lito, mas que me segura no braço a rir e me continua a explicar:
-Os provérbios nunca falham! Outro que se diz é:
Se la bocca [faz gesto com as maos a mexer em frente à boca, como se estivesse a mastigar] il cullo regge. (ou em portugues, se a boca mastiga, o cu aguenta). Nao se preocupe jovem, enquanto comer, esta' tudo bem!
-Buongiorno, arrivederci
posto pelo Alexandre às 15:32 0 comentários
6 de setembro de 2005
Recuerdos de Verao
Dispersos:
Chegar ao Porto de aviao, à noite, e ver tudo escuro e a arder - parecia as imagens do N. Geographic, quando mostravam os vulcoes e a lava em close-up;
Ir à praia na Costa Nova, em Aveiro, e ser bombardeado com milhares de graos de areia por uma nortada fria insuportavel, depois de ter estado a morrer de calor em Roma e N.Iorque sem poder ir ao mar;
Ir à Charnica, um sitio meio secreto algures na Serra da Estrela, e apesar da pouca agua no rio Mondego, ter alguns momentos de comunhao com a Natureza e com os meus amigos punks;
Estar à espera da entrevista em N.Iorque, a apanhar vento no cais em frente ao Hudson;
Um churrasco algures em Matosinhos, tambem num sitio meio secreto (pelo menos dificil de encontrar) e em que acabou tudo de rastos;
Estar até às tantas no miradouro da Graça a tomar copos e de repente alguem se lembra de pedir o "sake portugues" para impressionar o nosso amigo japonoca - mas vieram tres copos de balao com aguardente velha, ou coisa que o valha, intragavel;
Voltar para Roma num aviao cheio de peregrinos que tinham ido a Fatima, a atropelar-se uns aos outros para ir à casa de banho do aviao antes dele levantar voo. Encaixado entre duas velhotas que me coscuvilharam a vida toda (quantos anos tens? tens namorada? tens pai e mae? és catolico?). A da esquerda, quando nos trouxeram a refeiçao, diz:
-Olha, eu divido a minha sande e comes metade
-Obrigado, minha senhora, mas isto chega-me
-E que? Quem é que a come?
Dito isto, e perante as minhas negaçoes, aproveita um momento de distracçao minha, pega na fatia de presunto dela e poe-na em cima do meu pao!!!!
-Anda la' que estas magro!
(esta simpatica velhota parecia portuguesa, mesmo fisicamente com bigode e tudo, e falava com um sotaque estranhissimo - os peregrinos eram de uma aldeiazita a Norte de Roma, Montefiascone)
posto pelo Alexandre às 12:59 0 comentários
1 de setembro de 2005
esquema político simplificado que tenta explicar porque é que pensar em termos de esquerda e direita faz parte do tempo da Maria Cachucha
• um LIBERAL põe a primazia na capacidade do indivíduo para se governar: moral e economicamente;
• um SOCIALISTA põe a primazia na capacidade do Estado para governar os indivíduos, moral e economicamente.
LIBERAIS e SOCIALISTAS podem ter, em maior ou menor grau, duas atitudes perante a sociedade:
• um CONSERVADOR quer que as coisas se mantenham o mais possível como estão;
• um REVOLUCIONÁRIO quer que as coisas mudem o mais possível.
(pronto, puz o Conservador à direita e o Revolucionário à esquerda - é a única concessão ao sistema tradicional)
Pode-se ser também mais ou menos liberal, mais ou menos socialista, mais ou menos Conservador ou Revolucionário. Ou seja, não há pretos e brancos mas um esquema geral em que cada um se identifica em maior ou menor grau com cada uma das direcções.
Assim, em Portugal, por exemplo, um Liberal pode ser considerado Revolucionário quando comparado com um Liberal inglês. Da mesma maneira, um Socialista será bastante conservador, já que no nosso triste país tratará de prolongar o status quo existente. Poder-se-ia dizer também que entre Socialista e Revolucionário está um Reformista, ou seja o middle-ground, aquele que quer mudar aos poucos e o mais possível com base em soluções já testadas (isto muitas vezes é confundido com ser conservador, que implica nenhuma ou muito pouca mudança).
Sei que este esquema é bastante simplista. Estou a trabalhar num mais completo, ou que não tenha tantos erros, e para isso peço a vossa colaboração (claro). Mas terá que ser sempre simples e ao mesmo tempo abranger tudo - sem cair na anacrónica noção de esquerda e direita, que de qualquer maneira só interessa aos partidos mais extremistas.
[isto foi porque me irritou aquela história do Café Blasfémias e da "Direita Liberal" e só agora é que tive tempo para o publicar. Por pouco pensei que para ser liberal tinha que andar de fato azul com botões dourados...]
posto pelo Alexandre às 02:24 2 comentários
31 de agosto de 2005
Cigano
A subir uma rua ao lado do Rossio, uma criatura leva a bicicleta pelas mãos e segue-nos. Agressivo, mas sem se perceber muito bem o que quer; oferece-nos tudo:
– queres comprar um telemóvel?
– queres comprar uns óculos de sol novos?
– gostas de gajos? onde é que sais à noite? ouvi dizer que tás sempre naquele sítio dos paneleiros
– queres comprar um jogo da Playstation?
– não gostas de ciganos?
– não gostas do Quaresma?
Até que passamos em frente a uma esquadra, ele cumprimenta o polícia como se estivesse a gozar com ele, pega na bicicleta e vai-se embora. Trazia uma t-shirt do Bruce Lee.
posto pelo Alexandre às 16:28 0 comentários
Lisboa
Sempre em férias, uns dias a ver a capital. Há muito tempo que não lá ia, e agora descobri uma série de coisas: a luz cortante, os recantos pitorescos por todo o lado, a quantidade enorme de jardins-miradouro - como em Roma, a outra cidade das sete colinas. A cidade contempla-se a si mesma do alto da Graça, do Adamastor, do Castelo. E com gozo, porque é mesmo bonita.
posto pelo Alexandre às 16:09 0 comentários
24 de agosto de 2005
22 de agosto de 2005
19 de agosto de 2005
18 de agosto de 2005
13 de agosto de 2005
o ar condicionado
e a atmosfera tipica de um novaiorquer. Fora esta um calor tropical (humidade ao maximo, temperaturas desumanas), dentro um frio glacial e seco. E tudo isto muda em segundos. Da rua para o museu, do museu para a esplanada, da esplanada para o taxi. E o metro....as carruagens tem todas o AC a bombar ao maximo. Mas as estacoes nem ve-lo. As carruagens bombam o ar frio para dentro e o quente para fora, i.e. para dentro das estacoes, onde esta MUITO mais quente que la fora. E uma experiencia surreal, esperar quinze minutos numa especie de banho turco e quando la vem o comboio entrar para um frigorifico. Depois sair e repetir tudo.
E o que espanta e o civismo e a simpatia no meio deste caos. E a comida tambem nao e nada ma (mas paga-se bem).
posto pelo Alexandre às 04:37 0 comentários
11 de agosto de 2005
ai mae
Ny esta cheia de gays. A pinha, mais propriamente, e todos com o mesmo estilo jovem fragil e imberbe. As noites tem sido do melhor. Ontem, por sugestao do meu excelentissimo irmao, fomos a uma festa brutal em que desfilavam diante dos nossos olhos todo o tipo de seres decadentes, dos mais variados sexos. Com um travesti gordo de peruca enorme a cantar o we dont need another hero, e uma stipper com umas fitinhas nas mamas a rodopiar. A ida para casa, numa varanda no primeiro andar, uma gaja nua, em frente a rua toda(!!!!) e com o namorado. OK, ja se anteve a coisa - sociedade ocidental hedonista, que vive sem responsabilidade mas que depois na vida real e toda certinha (toda a gente e cordial por aqui).
Pois e vou mesmo ficar nesta cidade por um ano ou dois...
posto pelo Alexandre às 17:20 2 comentários
9 de agosto de 2005
demais
postar da loja da Apple. Tem os computadores todos disponiveis para utilizar, ninguem faz perguntas nem chateia. Ontem fomos ao Tonic, e apanhamos uma grande banhada de concerto (o tipico ruido experimentalista). Mas antes deu para jantar num restaurante mais ou menos italiano tipo-sopranos, e anteontem num vietnamita. amanha festa- live the decadence ou qualquer coisa desse genero, e no fim de semana John Zorn Improv Party (abriu um novo spot aqui na cidade, o Knitting Factory ja n tem nada de jeito...)
posto pelo Alexandre às 21:54 1 comentários
ja agora
Estamos de ferias em NY, depois um pouco por todo Portugal. Espero conseguir publicar fotos. Beijos e abracos p todos!
posto pelo Alexandre às 15:49 0 comentários
3 de agosto de 2005
Paz à sua alma
Morreu o Jaquinzinhos. Era um dos melhores; tudo bem que às vezes as fotos eram um bocadinho a armar ao cagalhao, mas nem por isso deixavam de ser boas. E as fotos eram a ultima razao porque la' ia sempre - era a escrita inteligente, com uma optima mistura de cinismo ingles e porreirismo zé portuga, e ainda por cima e muito importante hoje em dia, liberal sem precisar de se colar à direita, como infelizmente acontece de vez em quando nos do lado...
posto pelo Alexandre às 11:53 1 comentários
29 de julho de 2005
Daqui a pouco vou embora
e com sorte este pasquim vai passar a ser escrito da outra terra do liberalismo, NY! Para ja' sao so' férias, mas se der... E depois, so' ai' é que se fazem destas coisas.
posto pelo Alexandre às 10:13 1 comentários
mais um
Este aqui, que nao faço a minima ideia de onde é que me viu. Mas obrigado, especialmente por incluir aqui a Santa. E grandes fotos, especialmente.
posto pelo Alexandre às 10:09 0 comentários
27 de julho de 2005
23 de julho de 2005
num escritório perto de si
[A e B discutem um projecto. A é o chefe, B o empregado. C é o outro empregado que chega nesse momento. D é o outro chefe]
C - A, importa-se de assinar com o nome do cliente? [o cliente está noutro pais, e é preciso assinar um documento para lhe ligarem a luz em casa. Mas como não há tempo para lhe dar o documento, tem que se falsificar a assinatura]
A - hmmmm... mas como é que é a assinatura dele?
C - Espere aí que já lhe mostro...[procura num monte de papeis] Ah! aqui está, este documento tem uma assinatura.
A - hmmmm... está bem, queres fazer isso, B?
B - Eu não, não tenho jeito nenhum para imitar assinaturas!
A - va bene, va bene...[assina]
...
passam 5 minutos. C volta.
...
C - Desculpe A, mas vou ter que lhe imprimir outra vez o documento para assinar. É que temos que juntar um outro documento que devia ter sido assinado pelo cliente. Mas é um original e já foi assinado pelo D, sem imitar a assinatura como devia!
A - E agora?
C - Agora vai ter que imitar a assinatura falsa do D, porque ele também não está no escritório!
[B ouve, ri, e escreve para mais tarde recordar!]
posto pelo Alexandre às 20:43 3 comentários
22 de julho de 2005

Piazza S. Ignazio (a Igreja ve-se no canto superior esquerdo, é uma das fachadas mais altas de Roma). A praça é uma obra-prima do barroco popular, de Raguzzini.
posto pelo Alexandre às 18:56 0 comentários
18 de julho de 2005
romanidade labrega
Il cetriolo va sempre in cullo al contadino
Ou
O pepino vai sempre ao "cullo" do agricultor.
Ou, na Guarda,
Quem de mel se faz, as abelhas o comem.
Usa-se para aquelas pessoas que estao sempre disponiveis, nunca dizem que nao, fazem sempre horas extraordinarias, etc e cujos patroes, em vez de se mostrarem reconhecidos e as recompensarem, fazem trabalhar ainda mais, therefore o pepino que vai ao rabo de quem o plantou. Quanto mais se ajuda, mais se é "incullato". Acho que este é um problema da Humanidade em geral, mas certamente se faz sentir com força por estas terras meio selvagens.
posto pelo Alexandre às 17:56 4 comentários
posto pelo Alexandre às 17:54 0 comentários
15 de julho de 2005
Sobre trabalhar num escritório de arquitectura - 2:
Outra faceta da vida de estagiário é a de ser confrontado todos os dias com o chamado (no Porto, e por um muito competente professor de construção) “trabalho de broche”. Isto é, 99% do nosso tempo de trabalho é passado não a imaginar maravilhosas estruturas, espaços fascinantes e pormenores construtivos de revista, mas sim a corrigir desenhos e a paginar folhas (quando não a cortar e dobrá-las). Ou seja, trabalho de desenhador, em que a parte de “arquitecto” se resume a decifrar os “esquiços” do chefe (ou seja, gatafunhos em cima de folhas imprimidas) ou, pior ainda, a tentar fazer com que aquilo que funcionava perfeitamente no “esquiço” passe a funcionar também na realidade – do tipo apartamentos de 40 m2 com espaço suficiente para quarto, sala, cozinha e casa de banho utilizáveis, separados e com áreas decentes.
Mas o pior é quando se tem que usar desenhos começados por outras pessoas. No projecto que estou a fazer agora, os ficheiros iniciais tinham não menos de 107 (!) layers, linhas sobrepostas todas só um bocadinho tortas (o suficiente para chatear muito) e uma estrutura toda só um bocadinho não modular, i.e. nenhum pilar tinha a mesma distância do outro. Um caos. Acabámos por decidir fazer tudo do zero. Assim, aquilo que estou a tentar aprender nesta fase da vida é:
Gostava de apelar a todos os jovens (e velhos) explorados como eu para que contribuam aqui com ideias que nos deem tempo para produzir mais, e assim poder passar mais tempo no café, ou no aperitivo como aqui. A minha primeira lista:
2. reduzir ao mínimo o número de ficheiros. Ter uma só planta para cada piso, e usá-la como referência. No mesmo ficheiro, paginar os vários layouts desde o início para poupar tempo de impressão (isto só é possível com o Autocad, e por isso é que é o meu programa preferido). O rótulo e moldura devem fazer parte do layout, o resto são viewports nas várias escalas.
3. muito boa gente põe-se a fazer contas para ajustar a escala de impressão. (No Portoghesi havia tabelas enormes por todo o lado, que eu nunca percebi). Isso é uma perda de tempo e uma dor de cabeça – ou seja junta-se o inútil ao desagradável. Basta escrever, no Page Setup, 1000mm = 1 drawing units, quando se trabalha em metros, e depois em cada viewport escrever a escala do desenho: 1/200, 1/50, etc. Simples!
4. reduzir ao mínimo o número de blocos, e NUNCA usar blocos já feitos sem primeiro os explodir, limpar os layers e ajustá-los aos nossos (depois criam-se layers que não se sabe de onde vêm e que é impossível apagar).
5. Já agora, os nomes dos layers _EM MAIÚSCULA e com um underscore antes. A maiúscula ajuda a vê-los mais depressa, o underscore a pô-los todos juntos e ao início da lista quando se importa outro desenho (isto para os típicos ficheiros das câmaras municipais que vêm com milhares de layers)
6. Como dizia o Davide: “a pior coisa que se pode fazer é fazer a mesma coisa duas vezes”. Ter sempre uma pasta para os ficheiros desactualizados, e dar-lhes o nome com a data, do seguinte modo: [nome do ficheiro][ano][mês][dia]. Exemplo: PROJEXEC_050629. Deste modo os ficheiros ficam ordenados alfabeticamente, primeiro por tipo de desenho e depois por data (por isso o formato ano/mês/dia). Para modificações durante o mesmo dia, escrever A, B, C, e por aí adiante a seguir à data.
Ok, para já é tudo. Para a próxima ponho a lista de layers que usamos aqui (de qualquer maneira fui eu que a desenvolvi) e a maneira de organizar as pastas sem cair numa burocratização excessiva – ou como o excesso de organização leva a que se perca ainda mais tempo. Sugestões aceitam-se, como já ficou dito.
posto pelo Alexandre às 09:24 4 comentários
13 de julho de 2005
Sobre trabalhar num escritório de arquitectura - 1:
(ai, ai.. escrito ha' duas semanas e prisioneiro na entao desaparecida pen-drive, finalmente resgatado)
Graças à nossa Ordem, somos obrigados a fazer um ano de estágio num escritório. (há uns dias disseram-me que na Áustria são três anos, por isso nem me queixo muito). E de qualquer maneira, para 99% dos recém-licenciados, essa é a única opção. Muitas vezes dizem-me “O problema é que não é obrigatório que o estágio seja remunerado! É revoltante, estão-nos a fazer legalmente escravos!”. Ora isto tem a ver com a mais ou menos recente discussão sobre o salário mínimo. Ou por que é que o salário mínimo faz crescer o desemprego e assim baixar o nível de vida do país.
É sabido que o número de arquitectos em Portugal (e ainda mais em Itália) supera estratosfericamente o volume de trabalho existente (e por isso toda esta treta de revogar o 72/73 e de criar provas de admissão and so on). Assim, os poucos arquitectos que têm trabalho (1) não têm condições para oferecer empregos estáveis aos estagiários e/ou (2) aproveitam-se dessa situação para explorar os pobres ex-estudantes, a quem ainda por cima o facto de terem tirado um curso de 6 anos não dá direito a exercer a profissão (isto eu acho revoltante). Aqui em Roma o normal é ninguem estar à espera de pagar a um estagiário. Há escritórios onde trabalham 10 (dez!) pessoas a tempo inteiro, por um ano e a fazer directas se for preciso, sem receber um tusto.
Mas a solução não é obrigar o patrão a pagar, nem muito menos a fazer um contrato (admito que o parágrafo anterior já começava a soar um bocado a inter-sindical). Que a situação não é famosa, já se sabe. Mas imaginemos que era mesmo obrigatório que o estágio fosse pago. Quem é que no seu perfeito juízo ia dar trabalho a estagiários de arquitectura? Ou se punham desenhadores a trabalhar, ou se trabalhava de graça e o tempo de trabalho não contava como tempo de estágio. Era o caos. Ou seja, ia ficar tudo não na mesma, mas pior. E o que acontece é que, não pagando, muita gente pode ter experiência num escritório e geralmente os patrões preferem, passado algum tempo, começar a pagar aos melhores colaboradores (infelizmente não é sempre assim dada a mentalidade de merceeiro ainda soberana nos países mediterrânicos, mas paciência). De facto, é por isto que a Ordem escreve “o estágio deverá ser remunerado” e não “TEM que ser remunerado”, porque, acho eu, ainda deve haver uma réstia de bom-senso naquelas cabeças iluminadas.
posto pelo Alexandre às 15:34 2 comentários
Mais expressões romanas fixes
Il più pulito c’ha la rogna
ou
o mais limpo tem tinha. Diz-se a propósito da classe política local.
posto pelo Alexandre às 15:33 2 comentários
12 de julho de 2005
Um golpe no coraçao!

A normalidade por aqui. Publicidade a joias, perto do Auditorio de Roma. dedicado com amor e carinho aos Marretas.
posto pelo Alexandre às 10:22 1 comentários
6 de julho de 2005
novidades
Mais um blog para a lista do lado, a cantina do Olho, cujo autor encontrei num churrasco este fim de semana (e que ja' tinha contribuido para aqui). E tambem a radio jazz da Suiça, descoberta pela minha colega Valentina - simples e eficaz, quando nao se quer pensar muito no que ouvir durante o trabalho.
posto pelo Alexandre às 09:58 1 comentários
5 de julho de 2005
nem mais
(pouco tempo, sempre, para publicar coisas quando a unica ligaçao à net esta' no escrito'rio e o chefe nem na sombra dele confia; assim, tenho que me limitar a recomendar artigos dos outros, pelo menos enquanto a minha cabeleireira pessoal nao me devolver a pen com aquilo que escrevi no fim de semana)
Este rapaz tem um dos blogues mais contorcidos que conheço. Precoce e cinico, muitas vezes ultra-hormonado (parece ter um fetiche por actrizes americanas, loiras e mais ou menos ensossas - se ele visse os espécimes que ha' por aqui...) e tao masoquista que chego a pensar que é mais um personagem blogosférico. Mas fora isso, aqui escreveu um dos mais brilhantes textos dos ultimos tempos, claro, simples, inteligente e como sempre um prazer de ler. Visita diaria.
posto pelo Alexandre às 09:57 0 comentários
4 de julho de 2005
1 de julho de 2005
23 de junho de 2005

a Boca de Incendio, numero 1. A numero 2 esta' em preparaçao e sai daqui a um mes. tera' literatura, poesia visual e notas de banco falsas, com design neoclassico a tinta fluorescente. Imagens aqui quando sair.
posto pelo Alexandre às 09:50 0 comentários
21 de junho de 2005
historia do dia
Estavamos ha' pouco em reuniao aqui no escritorio, quando telefona um tipo que nos deve fazer um orçamento para uns brise-soleils. Ele tinha aqui estado ontem, eu estive-lhe a mostrar o projecto, e no final imprimi umas folhas directamente, porque o rapaz (a primeira coisa que disse foi : "trata-me por tu que devemos ter a mesma idade") nao era "muito practico com o email" e que "preferia fazer à maneira antiga" (i.e. com folhas de papel). Eu ja' tinha achado aquilo um bocado estranho, alguem que supostamente representa uma empresa que nao sabe usar o correio electronico. Mas nao liguei muito (alem disso, este jovem vende os tais brise-soleils em aluminio a imitar madeira (!), por isso o meu interesse tambem nao foi muito grande). Adiante; tinha-lhe dado dois alçados a 1/100 e um corte construtivo a 1/20. Foi assim:
Ele: Hmm, tenho aqui uma duvida: acho que me deste plantas com tamanhos diferentes. Qual é a dimensao que devo usar para fazer o orçamento.
Eu: Deves medir o corte construtivo, nao os alçados.
Ele: mas deste-me aqui um alçado lateral que é maior, e nao sei qual dos dois utilizar para fazer o orçamento. é importante, capisci?
Eu: Que me lembre dei-te tudo bem... espera ai' que confirmo [vou para o computador e abro o ficheiro]. pois, esta' tudo bem aqui.
Ele: Hmmm. mas nao sei de qual dos desenhos é que hei-de medir, a diferença é grande.
Eu: Mas isso foi porque te imprimi os desenhos a escalas diferentes!
Ele: ah, e entao? so se um dos desenhos estiver à escala 1/20
Eu: entao medes o corte!!!!! como ja te tinha dito antes
Ele: ah entao os desenhos tem tamanhos diferentes mas nao a mesma escala, tenho que calcular a medida
Eu: DUHH!! pois, até esta' escrito no desenho!!!
Ele: ah, agradeço-te muito.
Depois contei ao chefe e ele saiu-se com esta pérola:
A dificuldade da arquitectura esta' em explicar a estas pessoas que nem sabem ler como se constroem as coisas. Estes matarruanos estavam antes com as vacas e agora lembrararam-se de abrir uma empresa de construçao.
!
infelizmente, tambem é assim em Portugal, ou nao?
posto pelo Alexandre às 15:38 2 comentários
20 de junho de 2005
posto pelo Alexandre às 10:11 0 comentários
15 de junho de 2005
mais definiçoes de arquitectura
Tiago, esta imagem em baixo encaixa que nem uma luva para o teu ultimo post. A cupula so' podia ter sido feita por um arquitecto; nao um tecnico (que so' sabe como construir abobadas) nem um artista (que as deixa cair na cabeça das pessoas, como o Chillida). O facto de algumas obras terem uma forte expressao arquitectonica (como as obras do dito Chillida) nao as converte em arquitectura. Esta cupula é uma refinada demonstraçao de como o arquitecto é um técnico-artista, e nao so' no sentido de saber como a manter de pé, mas tambem de como a desenhar com a forma de um hexagono que se converte em circulo - e por sua vez isto torna-a 'artistica'.
posto pelo Alexandre às 19:19 2 comentários
13 de junho de 2005
cupula hexagonal

numa obscura aldeia a Norte de Roma, chamada Fumone, esta' uma igreja decrépita que dentro tem esta maravilha geométrica - um hexa'gono que se transforma em circulo e constroi uma cupula. Sem frescos nem anjinhos nem mariquices dessas - pura expressao arquitectonica. Grande.
posto pelo Alexandre às 15:02 0 comentários
10 de junho de 2005
até segunda
mais um fim de semana. Fazer a Boca de Incendio, pensar em autocolantes para bombardear a cidade, marcar encontros galantes no chiostro del Bramante e ir comer sardinhas (ha' mesmo gente que se deu ao trabalho de trazer sardinhas - sardinhas! - de Portugal). Esplendido.
posto pelo Alexandre às 18:41 0 comentários
8 de junho de 2005
novidades
Depois de uma lauta bacalhoada por terras romanas, regada com um maravilhoso e extrapotente vinho portugues, ontem à noite aprendi finalmente a por links nesta porcaria. Grande! Grande vergonha, porque era de caras, mas pronto, aqui estao para o divertimento geral. (so' faltam os acentos)
posto pelo Alexandre às 18:41 1 comentários
7 de junho de 2005
o debate de ha’ dois meses
Mais ou menos nessa altura, fui com a então inseparável namorada jantar a Trastevere. Como o nosso Corrado estava fechado, fomos a outro tasco nas redondezas. [nota: a trattoria da Corrado é um dos sítios mais genuínos e baratos para comer em Roma, no meio do mar de restaurantes foleiros para a turistada em Trastevere; só há três pratos: amatriciana (massa com tomate, bacon e queijo de ovelha e que tem que se comer com um guardanapo a proteger toda a parte frontal do corpo), spezzatino (estufado de carne com pimentos) e frango com queijo].
Estávamo-nos a deliciar com umas bolinhas de mozzarella fritas, quando começámos a discutir forte e feio sobre as Universidades públicas e privadas. Dizia eu (mal adivinhando a indigestão que me iria provocar) que era uma tristeza que em Portugal as universidades públicas sejam em geral as melhores, tendo como referência, claro, a nossa de arquitectura. A isto ela contrapôs que não, que isso é que estava bem porque assim toda a gente tem acesso a um ensino de qualidade, e que isso era um sinal de avanço do país.
Ora, aquilo que eu queria dizer (e que na altura não soube explicar, porque acabámos os dois aos gritos no restaurante – depois saímos e uns beijinhos resolveram a questão) é que o problema não é as públicas serem melhores, mas sim as privadas serem tão más, e funcionarem regra geral como solução de recurso para aqueles que não entram para a pública. Isto diz muito da cultura empreendedora do nosso país – que é zero ou quase. Não há (e falo de arquitectura, mas certamente isto aplica-se a tantos cursos) uma Universidade que queira ganhar dinheiro através da excelência e preparação para o mundo do trabalho. Em Roma, quem tem dinheiro põe os filhos a estudar na LUISS, uma privada, em que quem acaba recebe imediatamente propostas de trabalho em empresas. O mesmo na LSE em Londres. Claro está que não têm arquitectura, mas não se perderia nada se o nosso curso funcionasse um pouco mais como economia. Quanto a mim a FAUP podia ser perfeitamente uma escola privada, porque, mesmo disfarçadamente, tem uma orientação estética e ideológica fortes e uma preparação de excelência - apesar de carcomida pelas dezenas de tachos que se acumulam no sector docente. Estes, num regime privado em que tem que se ganhar dinheiro, seriam substituídos por quadros competentes...
E agora a questão central – mas e então assim quem não tem dinheiro não pode usufruir desse ensino de qualidade – quanto a mim é para isso que serve o Estado (vd post anterior), precisamente para garantir que tem tenha estudado mas não tenha culpa de ter pais remediados, possa estudar numa privada. Ao mesmo tempo, o Estado gasta menos recursos com as Universidades, e pode dar bolsas decentes a quem precisa. E se há muita gente que precisa de um bolsa decente, mais ainda o nosso pobre Estado precisa de gastar menos recursos.
posto pelo Alexandre às 14:55 7 comentários
3 de junho de 2005
vantagens da regionalizaçao: eleiçoes em Roma 2 e 3

traduçao: BAIXAMOS OS PREçOS, NAO AS CUECAS! ATé ESSAS NOS TIRARAM! CONSUMIDORES VOTEM POR VOCES PROPRIOS!
este elegante e refinado politico morava no andar de cima do prédio da minha ex namorada.
posto pelo Alexandre às 15:48 0 comentários

ei-lo aqui. Agora que a data ja' passou ha' uns meses, nao ha' grande problema em lhe fazer publicidade!
Por aqui é assim: os partidos de direita elegem um enorme numero de atrasados mentais para a regiao, e logo tem cartazes muito mais fixes. Os de esquerda sao uma seca, so' acusaçoes e insultos, sem personagens comicos. (excepçao feita aos de extrema-direita, que sao uma seca igual com frases em latim do género Roma nao morre se os Romanos nao morrerem. Bahhh!)
posto pelo Alexandre às 15:44 0 comentários
o debate de quarta à noite
Mais uma vez, eu e a minha inseparável amiga Luísa (nome fictício) tivemos uma discussão sanguinária enquanto toda a casa queria jantar harmoniosamente. Referia-se a discussão à medida da moda, a de aumentar os impostos, em relação à qual somos os dois contra.
L – há uns tempos tive que ir ao oftalmologista no hospital (público). Esperei dois meses por uma consulta. Quando lá cheguei, tinham marcado todas as pessoas para a mesma hora, logo quem não era da terra (
A – Claro...
L – Claro nada!!! Já que pagamos tantos impostos temos é que ter serviços públicos decentes!!!
A – Então não devias ser contra o aumento dos impostos! Eu preferia que isso não fosse feito pelo Estado, e assim houvessem menos impostos!
L – Isso é uma posição derrotista! Não eras tu que querias que fosse para lá o PS para afundar de vez com o país?!?! Agora tens o que querias!!!
A – Sim, porque o que é preciso em
L – Isso é uma estupidez e nunca vai acontecer!!! É POR CAUSA DE PESSOAS
A – SE MAIS PESSOAS PENSASSEM
L – MAS QUEM GANHA O SALÁRIO MÍNIMO NEM SEQUER PODE PENSAR NISSO!!!
A – ISSO É UMA POSIÇÃO DEMAGÓGICA!!! NÃO
L – OLHA VAI À MERDA!!!!
...............
Ok, a nossa relação de amizade até é bastante saudável, já que hoje, dia da Républica em Itália, estamos os dois no Chiostro del Bramante a tomar café. Eu escrevo (e publicarei isto amanhã, dia 3, quando fôr trabalhar) e ela estuda pelo Kenneth Frampton, que ainda não é tão verborreico e novilinguista quanto o saudoso Mendes, mas lá se aproxima.
Fora os insultos, o tema é: ou queremos ter melhores serviços pelos impostos que pagamos, ou queremos pagar menos impostos e usar o dinheiro que sobra para pagar aos privados. Quanto a mim, a primeira hipótese é cada vez menos sustentável; em Itália, que funciona mais ou menos
É óbvio que não podemos pedir que um político ganhe eleições com a promessa de acabar com a mama pública, mas que se podia começar, pragmaticamente, por algum lado, isso podia e até já esteve para acontecer. A privatização de um canal da RTP, da CGD, e a lei das rendas eram tudo medidas inteligentes que tragicamente não foram para a frente. Mas mais vale tarde...
posto pelo Alexandre às 15:03 1 comentários
para que serve o Estado
Este sábado, por vários motivos relacionados com visitas de amigas mais ou menos liberais (politicamente!), acabei por ficar em casa no Sábado à noite. Isto teve duas vantagens: não só pude descansar dos dois últimos fins de semana sem dormir,
1.
2.
3.
[pode-se tambem invocar um argumento liberal, que é o de que o facto de uma pessoa poder ir às meninas ou mandar o caldinho livremente contribui para a degradação da sociedade, e assim vai afectar terceiros que nada têm a ver com isso]
Este último ponto também se aplica no caso dos países nórdicos, em que não só o Estado encaixa mais de metade da produção dos cidadãos, como comete o erro de lhes dar tudo o que eles precisam e querem, tirando-lhes assim qualquer hipótese de satisfação pessoal com o facto de se esforçarem para atingir um objectivo.
Nada mais me ocorre. Hospitais, escolas, televisões, arquitectos, podem ser todos privados que não vem mal nenhum ao Mundo. Antes pelo contrário, e só assim o Estado se pode livrar dos pesos mortos que consomem a riqueza produzida pelos cidadãos e cumprir as suas (poucas e importantíssimas) funções
posto pelo Alexandre às 09:38 0 comentários
1 de junho de 2005
esta' tudo louco
E esta' tudo dito, aqui, aqui e aqui. Por isso,
A soluçao para este buraco chamado Portugal nao é aumentar os impostos para alimentar a mediocridade dos serviços estatais, mas sim descartar tantos dos ultimos quanto possivel para baixar os primeiros e assim permitir a fixaçao de empresas e o crescimento econo'mico.
E nao ha' apelos patrioticos del cazzo que o valham.
Por aqui é igual ou pior. Todos os meses ha' greves de transportes publicos e toda a gente fica com um dia estragado em que perdeu tempo de trabalho porque tudo depende do estado e o estado nao despede os seus trabalhadores, nao diferencia o mérito individual e esta'-se nas tintas para a optimizaçao de recursos. Tal e qual como em Portugal, mas aqui temos o Norte a sério, com empresas a sério que exportam bens de luxo e que ainda vao aguentando a coisa (e nao estou a falar da FIAT, que essa sim é mais um claomoroso caso de empresa privada mantida pelos dinheiros publicos, uma perversao perfeitamente possivel por aqui).
posto pelo Alexandre às 09:39 0 comentários
25 de maio de 2005
vantagens da regionalizaçao: eleiçoes em Roma 1

campea mundial de fitness para a Assembleia Regional. A seguir, o Bud Spencer e o Partido dos Consumidores em Cuecas.
posto pelo Alexandre às 17:12 0 comentários
24 de maio de 2005
Guerra das Estrelas
O melhor de ver o Star Wars em Londres foi que fomos ve-lo ao Barbican Centre. E' como estar dentro de uma nave espacial, com todas as peças desenhadas nos anos setenta. O cinema nem é grande coisa, mas estavam la' o Lou Reed (bastante carcomido, diga-se) e a Laurie Anderson, mais ou menos ano'nimos. A segunda coisa melhor é que pudemos ver em versao original, coisa que aqui tao cedo nao sei (imaginam o Yoda a dizer "Che la Forza sia co' te!"!!!!!!! e ainda por cima o Darth Vader chama-se Darth Fenner, que soa completamente amaricado). Quanto ao filme foi, como disse a Clara, "bom para ver os bonequinhos outra vez", apesar dos actores serem bastante fraquinhos. De qualquer maneira, quero ver mais uma vez antes de fazer grandes comenta'rios.
posto pelo Alexandre às 10:01 0 comentários
19 de maio de 2005
até para a semana
Daqui a umas horas estou a passar o fim-de-semana na terra do liberalismo.
posto pelo Alexandre às 17:27 0 comentários
18 de maio de 2005
Bravo!
Para o Blasfemias e o Abrupto, as minhas duas referencias. Como vivo em Roma fui ha' uns meses submergido no caos (coisa nao rara por aqui) quando foi assinado o Tratado da Constituiçao Europeia. Ja' nao sei quem ficou retido no aeroporto por causa do Santana Lopes. Ruas cortadas, cordoes policiais, helicopteros, a parafernalia do costume. E o que na altura me causou uma sensaçao estranha foi que todo aquele movimento podia ser simplesmente inutil, ja' que haveria de haver um referendo... Mas o modo como tudo foi levado a cabo (incluindo jornais e televisoes) deu a crer que se tratava de um facto consumado, e ainda por cima de uma grande festa, de um grande e novo amanha. Agora paciencia; esperemos que nao.
posto pelo Alexandre às 17:47 0 comentários
porque:
nao me interessam nem franceses nem alemaes nem as supostas ambiçoes deles de governar o Mundo. Tambem caguei e andei para a nossa soberania e perda de identidade nacional. O que eu nao quero é mais burocracia e diluiçao de responsabilidades, ou seja mais Estado. Aquele que temos ja' nos da' problemas suficientes.
posto pelo Alexandre às 17:06 0 comentários
17 de maio de 2005
16 de maio de 2005
todo focken
ou a cair para o lado, com 2 horas de sono depois de fazer 2000 km num fim-de-semana no Salento, o tacao da bota italiana. Grandes imagens virao (o melhor que a minha micro-maquina pode fazer) e talvez algum esquiço. E um mar de sonho para escapar ao fumo de Roma.
posto pelo Alexandre às 09:53 0 comentários
13 de maio de 2005
Milano

Salone del Mobile, Abril 2005. Toda a cidade em festa, (aqui uma discoteca-design-tenda) e bastante menos azeiteiros por metro quadrado em relaçao a Roma.
posto pelo Alexandre às 13:25 0 comentários
mais dois para a festa
O Jaquinzinhos, que alem de ser outro dos que nao fazem prisioneiros ainda tem fotografias de Roma muito melhores que as minhas (estas aqui te^m um publico alvo mais especifico...). O Semiramis, que tambem nao se fica atra's em termos de potencia destrutiva de argumentos bacocos estadistas, tem sempre textos mais longos mas sempre refinados, claros e inteligentes. Um prazer de ler (e daqui a pouco a barra de links do firefox ja' nao chega, e o tempo para ler tambem nao).
posto pelo Alexandre às 12:22 1 comentários
12 de maio de 2005
11 de maio de 2005
Tudo à borla
A semana passada instalei aqui no escritório o Firefox, o Skype e o Gmail. Três produtos simples, grátis e o mais importante – funcionam maravilhosamente. Na sexta conheci um indiano que estava a trabalhar para uma empresa de software (como cada vez mais milhares de pessoas na Índia) e ele só trabalhava em software open-source. Ora por aqui no Santa Bárbara ninguém pensa que nada cai do céu, e ao início esta coisa do open-source e tudo grátis e aberto metia-me impressão: soava à típica “revolução que vai dar cabo das multinacionais” e que afinal nunca mais dá (diziam a mesma coisa do mp3). Mas a verdade é que os programas funcionam mesmo bem (ao contrário, por exemplo, do Explorer e do Word, que ainda por cima se pagam) e contra isso não há argumento possível: o indiano dizia-me depois que “no futuro vai ser tudo grátis. Queres um programa e vais buscá-lo à Internet, sem CDs de instalação e sem pagar mais por isso.” E para mim isto começa a ter muita lógica, não porque represente o fim do capitalismo electrónico, mas precisamente porque só é possível num sistema concorrencial feroz, sim, mas sobretudo dinâmico e liberal, e que no fim de contas beneficia o consumidor, i.e. a Humanidade em geral. As empresas passam a dar os programas e a cobrar pelos serviços – é o fim, não do capitalismo, mas da pirataria! (e dos marroquinos que vendem software a 5 euros nas ruas de Roma...). O capitalismo é o caos – é imprevisível, mas geralmente mais benéfico do que aquilo que se faz crer. Quanto a mim é simples: quanto mais gente usa um produto mais este ganha valor, e a maneira mais eficaz de fazer com que ele seja usado é dá-lo.
O Blogger, por exemplo, está muito melhor e ao contrário do que se passava há um ano atrás não se paga pelas imagens e não há publicidade. O nosso miserável Clix, pelo contrário, dá-nos um restyling, publicidade, lentidão, bugs, SPAMs e uns avarentos 5Mb – já não há paciência e por isso mudei para o Gmail.
Não sei se há ou haverá programas de open-source para arquitectura (se alguém souber, avise sff), e ao contrário do indiano e de outros que tenho conhecido não gosto de fazer profecias (a dada altura ele sai-se com “e daqui a dez anos a Microsoft vai acabar ou tornar-se aberta!” - estava-se mesmo a ver...). Nem imagino muito bem como é que é possível desenvolver programas profissionais tipo Autocad, Photoshop e Rhino sem cobrar por eles... A ideia vendida pelos open-sourcianos de que toda a gente contribui globalmente para o bem comum também não me convence lá muito - para mim são mesmo o pilim e o amor que fazem a diferença, não a boa-vontade. Mas para já dou o braço a torcer e espero mais maravilhas da técnica. À borla.
E acrescente-se, uma grande lingua de fora ao Publico, por, precisamente nesta altura, começar a fazer pagar um produto que antes dava.
posto pelo Alexandre às 15:02 1 comentários
10 de maio de 2005
parece inutil
porque ja' esta' noutra galaxia, mas mesmo assim: parabens atrasados ao Abrupto, que se nao fosse ele nao estavamos aqui. Em Roma, onde o Publico nao chega (ja' nem pela net, pelo menos aquilo que interessava), é a primeira coisa que vejo quando ligo o computador - a que se sucedem todas as outras descobertas através dele.
posto pelo Alexandre às 12:42 0 comentários
posto pelo Alexandre às 12:23 0 comentários
6 de maio de 2005
O direito à arquitectura 4
Ainda bem que o Tiago se lembrou do Kahn (nem por acaso anteontem fomos ver o documentario sobre ele realizado pelo filho). E obrigado ao Guerra por ter escrito.
Concordo com a ideia do mestre. Mas acho que nao so' nao é incompativel com o que defendo, como de certa maneira o confirma. Vejamos: um arquitecto tem que usar rodas redondas e portas por onde as pessoas possam entrar. A arquitectura tem que funcionar, mais ou menos bem, para ser arquitectura. Tudo bem - mas esses sao problemas tao simples que nao é preciso ser arquitecto para os resolver; qualquer casa de desenhador tem portas mais altas que as pessoas, janelas que abrem para deixar entrar o ar, tomadas eléctricas, canalizaçoes, etc. Nao deixa de ser arquitectura por isso.
Dou um exemplo, duma casa que até conheço pessoalmente: o atrio é enorme e escuro, e no Inverno é gelado por causa do pavimento em tijoleira. Um dos quartos nao tem janelas, e a sala é virada a Norte. A casa de banho é gigantesca e logo dificil de aquecer no Inverno (estamos na Guarda). Por outro lado, é rodeada por todos os lados de uma varanda que junto à cozinha é virada a nascente, por isso de manha no Verao é um forno. Nao foi desenhada por um arquitecto, é claro, mas la' moram pessoas e, se podiam ter uma casa melhor, nao te^m nenhum problema particular com esta que as faça mudar.
E' aqui que eu quero chegar. No's andamos 6 anos a estudar (mais um de estagio para a Ordem) para sabermos desenhar edificios que nao tenham estes problemas (pelo menos quem leva a profissao a sério). E isso é uma mais-valia, mas nao uma condiçao indispensavel para que a casa funcione e os seus habitantes sejam felizes nela; daqui se retira mais uma vez que:
O unico motivo pelo qual se pode justificar a revogaçao do decreto 72/73 é o proteccionismo corporativista. A profissao de arquitecto é uma profissao de valor acrescentado, nao de serviço publico.
Podem-me dizer: mas entao nao era melhor se todos os edificios fossem desenhados sem esses problemas? Nao é obrigaçao do Estado garantir que os cidadaos sejam protegidos dos abusos dos construtores, que nao querem pagar a alguem competente para fazer os projectos? Para isso ha' duas respostas: uma, que o Regulamento Geral de Edificaçoes Urbanas ou é insuficiente ou o é a fiscalizaçao nas Camaras (a casa acima viola varios pontos do dito regulamento). A outra, a dura verdade (como ja' disse antes), é que nao ha' nenhuma garantia de que um arquitecto, hoje em dia, possa evitar complicaçoes às pessoas que usam os seus projectos; bem pelo contrario, a historia esta' cheia de obras-primas a cair aos pedaços porque foram mal desenhadas (vd as paredes cheias de verdete e com o revestimento esburacado da nossa Faculdade; e ja' agora, a torre de Pisa). Nao vejo entao nenhuma vantagem na revogaçao.
posto pelo Alexandre às 14:42 4 comentários
historia do dia
o fax nao funciona. O chefe pega nele e começa a carregar em todos os botoes, até que se passa e começa a bater com o aparelho em cima da mesa enquanto lhe chama qualquer coisa tipo "maledetto figlio di puttana". Agora nem temos telefone.
posto pelo Alexandre às 12:50 0 comentários
4 de maio de 2005
pedras brutas
Sobre o que esta' escrito aqui, outro dos meus blogs preferidos. Infelizmente, desta vez passaram-se. Mas qual é o problema de construir em pedra bruta? E em que medida é que isso é sintoma'tico do nosso atraso cro'nico? Edificios com a expressao arquitectonica das Se's da Guarda, E'vora e Coimbra, so' para dizer tres, nao se encontram em mais lado nenhum do Mundo. Para ja', construir em pedra bruta é muito mais complicado do que empilhar tijolo sobre tijolo (como se fazia em Roma, ja' que a pedra bruta ou era muito ma', como o tufo vulcanico, ou era muito boa, como o travertino e assim nao eram usadas para segurar o edificio). E' verdade que a nossa arquitectura medieval é normalmente feita com materiais rudes, nao de mosaicos dourados. E depois? Se isso fosse condiçao necessaria e suficiente para termos bons edificios entao no sec XVIII eramos o pai's mais avançado da Europa (quando dignifca'mos as nossas rudes igrejas romanicas atafulhando-as de talha dourada).
O atraso cronico portugues existe sem duvida, mas tentar transpor para a arte aquilo que verdadeiramente se passa na economia é que me parece errado. Obviamente que as duas coisas estao ligadas, mas felizmente nao dependem inteiramente uma da outra, e disso podem-se dar milhares de exemplos - alia's a se ha' coisa dependente da economia é o negocio da arte contemporanea, e nisso Portugal tambem nao esta' assim tao atrasado...
posto pelo Alexandre às 14:32 1 comentários
3 de maio de 2005
Arquitectura para os dias de hoje
este é um artigo que foi publicado num anterior Santa Ba'rbara, feito no Verao em fase experimental. Fica aqui para a posteridade (ligeiramente retocado).
A ideia de escrever isto veio do post "Tempos Duros 3: o Argumento Hegeliano" do Abrupto . Quando estava em Londres a trabalhar, uma das coisas que mais me marcou foi ler o "The Open Society and its Enemies", do Popper, todas as manhãs e todas as noites, na interminável viagem de autocarro de casa para o escritório e vice-versa. O tal argumento Hegeliano é explicado, dissecado e refutado com a maior clareza (e elegância) e o esforço de ler o calhamaço compensa pelas ferramentas que nos dá para entender o Mundo. Ora o livro fala precisamente dos "perigos do historicismo" para as nossas democracias ocidentais, mas nada em relação à arquitectura - só algum tempo depois (admito a minha incapacidade...) é que consegui juntar as pontas.
Quando dizia aos meus colegas "Vou para Londres trabalhar em arquitectura clássica e tradicional" a resposta, mais coisa menos coisa era "Mas não faz sentido nos dias de hoje fazer esse tipo de coisa!" a que se seguia algum sorriso condescendente ou uma risada incrédula. Um deles veio-me dizer que essa arquitectura era falsa porque era "só cenário", ou só "decoracão".
A verdade é que os projectos em que trabalhei em Londres eram estruturalmente modernos (paredes de betão anti-sísmicas, estrutura de aço revestida a painéis sandwich) e pareciam "antigos" (pelo menos para qualquer modernista), com revestimento de pedra, janelas de madeira, telhados de telha, pérgolas, etc -the whole kit. Mas não é essa discussão que realmente importa (até porque a maior parte dos arquitectos nem está tecnicamente preparada para a ter, quando nem sequer sabe distinguir uma ordem da outra). O argumento que pesa é sempre o dos famigerados dias de hoje.
Um historicista, em traços muito simples, acredita que a História faz o Homem; ele é um seu produto, e ela a sua justificação de existir. O Estado no Poder, correspondendo ao momento actual da História, é assim superior ao Homem - Hegel chamava-lhe "divino" - e este tem que se lhe submeter, à marcha inexorável dos tempos. (com este fraco argumento Hegel pretendia justificar a actuação do seu patrão, o Kaiser Frederico II da Prússia, na sua marcha inexorável de conquista da Europa).
Na História da Arte o argumento é o mesmo - O Homem, sendo um produto da História, e logo dos seus tempos, expressa artisticamente a sua época, e toda a criação artística que não o fizer é desprovida de valor, ou simplesmente "não faz sentido". Este historicismo foi provavelmente o responsável pela criação das "etiquetas" artístico-históricas, que pretendem fazer crer que em determinada época se fazia uma determinada arquitectura, e que há sempre uma tendência para ir em frente (e assim se ignoraram durante muito tempo varios personagens, só porque não estavam alinhados com a corrente do seu tempo - Brasini, Vittone, etc que recentemente coemçaram a ser estudados).
A atitude, digamos, liberal e anti-historicista, declara pelo contrário que a História é um produto do Homem, que ela é feita de avanços e recuos e, pelo menos em relação à arte, nunca de consensos. No séc. XVIII construía-se em gothick em Inglaterra, mas tambem em Itália, e não se tratavam de revivalismos (mais uma expressão tipicamente historicista) mas de obras de arquitectura correntes - há projectos de fachadas, desse periodo, para igrejas construídas dois ou três séculos antes, que tinham que ser acabadas e na altura ninguem se preocupava se "fazia sentido" construir em estilo gótico ou não. Nunca houve verdadeiramente nenhum "estilo" que se possa associar a uma época, ao mesmo tempo e em todo o lado, mas sim fenómenos de sucesso localizados (a medição do valor de uma acção pelos seu sucesso tambem é um argumento hegeliano) que sem dúvida influenciaram outros fenómenos localizados.
Esta “obrigação moral” de espressarmos a nossa época tem as mais funestas consequências - a mercantilização da arte contemporânea e a destruição da homogeneidade dos centros históricos são duas delas. Sou contra o historicismo e acho-o um argumento fraco; sendo contra uma das suas premissas, não sou contra a arquitectura modernista em si - sou um liberal e assim defendo a diversidade de pensamentos e a liberdade criativa de toda gente. Só peço que em nome de uma época contemporânea não castrem a minha.
posto pelo Alexandre às 09:42 5 comentários
2 de maio de 2005
O direito à arquitectura 3
Ok, primeiro deixemos de lado a questao do que é popular ou nao. Essa coisa do "virus" parece-me muito snob para a levar a sério, mas ao mesmo tempo preocupante - por isso o melhor é ficar para segundas nupcias.
O problema é este: a nossa profissao nao é técnica, como a de médico ou engenheiro. E' uma profissao artistica, que so' uma regulamentaçao muito basica separa de um escultor ou um pintor (e mais uma vez nao vou discutir se o que temos é suficiente ou nao). Revogar o 72/73 era quase a mesma coisa que dizer que so' os pintores e os escultores é que podiam fazer pintura e escultura - ou seja fechar a sociedade, torna'-la corporativista.
Quanto à concorrencia dos engenheiros e desenhadores, que fazem mais barato, so' ha' uma coisa a dizer: a concorrencia faz baixar os preços, e isso beneficia o consumidor. Revogar o 72/73 é o equivalente a aplicar taxas aos chineses, porque sao baratos demais. E contra isso ja' foi tudo dito aqui.
A nossa paisagem esta' desfigurada? Claro que sim. E sobre isso ha' muito a dizer e a fazer, mas para ja ficam aqui quatro consideraçoes:
1. se forem so' os arquitectos a poder assinar projectos NAO vai haver nehuma melhoria, porque da maneira como funcionam as escolas e o establishment ninguem (arquitecto) é capaz de fazer alguma coisa que nao seja a sua linguagem individual, a sua afirmaçao, o seu objecto (vd Casa da Musica);
2. Nao creio que a soluçao para a concorrencia no sector seja aplicar medidas proteccionistas (a revogaçao nao é mais que isso, disfarçada com um muito bem-intencionado "Direito à Arquitectura");
3. Continuo a ver em tudo isto um profundo snobismo, de esquerda e de direita, que trata o "povo" com um paternalismo e uma condescendencia atrozes. Os desejos das pessoas, por muito absurdos e de mau gosto que sejam, sao delas e ninguem tem o direito de lhes impor o que elas querem - e por pessoas refiro-me a a todos nos, e a mim, que nunca gostei que me dissessem de que é que eu tenho que gostar.
4. Acho que seria mais util lutar por uma liberalizaçao e enriquecimento economico geral do Pais, ja que quando ha' dinheiro de sobra é facil aplica'-lo na cultura. Enquanto se esperar que ele venha do Estado, nao ha' nada a fazer - a nao ser regressar à ditadura e proibir tudo o que ponha em casa o status quo.
posto pelo Alexandre às 14:45 2 comentários













